Cota de Tela: Um danoso exrcício de futurologia imposto anualmente ao mercado


Cota de Tela – Um danoso exercício de futurologia imposto anualmente ao mercado

O Presidente Lula decretou que a reserva de mercado (cota de tela)  para filmes  nacionais em 2005, seja de cerca de 53 dias, em média, para cada uma das salas existentes no país. Os mais nacionalistas defendem a cota de tela como instrumento essencial para preservação do brilhante, porém carente cinema brasileiro, espremido e subjugado pela hegemonia do cinema holywoodiano.

Ao mesmo tempo em que é difícil discordar do objetivo altruísta de criar espaço para o produto nacional, se torna impossível deixar de apoiar um cinema brasileiro que não se sustenta por suas próprias forças e sobrevive à base de Leis de Incentivo. Hoje, cerca dos 50 filmes produzidos no ano são custeados quase que integralmente pelo contribuinte.

A conclusão equivocada é que a cota de tela é necessária e benéfica ao cinema nacional. Por conta de uma análise superficial, foi criada a maior falácia qual somos obrigados a nos debater anualmente. Trata-se de exercício de futurologia, sem nenhum critério objetivo e mercadológico, que resulta em demagógica ameaça à estabilidade daqueles que investem e põem seu empenho e capital em risco.

Os grandes filmes nacionais produzidos com uma visão de mercado não têm dificuldade de competir em igualdade de condições com o cinema americano. Provaram que não necessitam da cota de tela. Já os médios, dependem muito mais de recursos de comercialização e de marketing do que de uma cota para atingir seu público. Os filmes brasileiros pequenos, produzidos dentro de um conceito autoral e de relevância cultural, representam cerca 75% dos títulos lançados anualmente. E são estes que possuem dificuldades de exibição porque não atraem público.

Assim, a cota de tela se presta cada vez mais a abrir espaço para filmes sem potencial de público, onerando as salas de cinema e impedindo-as de exibir produtos comercialmente viáveis. A cota de tela procura tratar diferentes problemas com a mesma solução: a reserva compulsória de mercado que viola princípios básicos como a insofismável relação entre oferta e procura; a liberdade de iniciativa empresarial em atividade privada; a previsibilidade do risco do empreendedor; a inadequação do produto aos mercados.

O país precisa ter a coragem de assumir que: a) nem todo produto audiovisual deve ter obrigatoriamente como destino às telas de cinema; b) bons produtos brasileiros competem em igualdade de condição com bons produtos estrangeiros e, muitas vezes ganham em preferência do público; c) produtos de padrão médio merecem maiores esforços de comercialização; d) produtos cinematográficos destinados a um nicho de mercado de exibição devem se adequar à suas propostas e pretensões originais.  Estas constatações valem para todos os produtos independente de origem, país, autor, produtor ou distribuidor.

O Brasil conta com 2 mil salas, e estas não são suficientes para dar vazão a um número cada vez maior de filmes nacionais que não entendem que o mercado cinematográfico tem um modelo de negócio que precisa ser respeitado. Fora disso é alterar por decreto a vontade do mercado, o qual tem como última palavra quem compra o ingresso, sua Excelência o Espectador, que preside de fato toda a indústria.